O palmarés da Alentejana tem, a partir de agora, um ciclista da América do Sul. Mauricio Moreira, um uruguaio de 25 anos da portuguesa Efapel, venceu este domingo a 38ª Volta ao Alentejo / 1º Grande Prémio CMTV. "Uma volta de prestígio como é a Volta ao Alentejo... Acho que é a minha primeira vitória tão destacada, com tanta importância e um grande impulso na minha carreira", afirmou o vencedor.

Moreira envergou a Camisola Amarela Sociedade Ponto Verde na véspera, depois de vencer o contrarrelógio de Castelo de Vide. Os três segundos de vantagem que trouxe para a derradeira etapa entre Portalegre e Évora (162,9 quilómetros) não permitiam distrações, por isso mesmo a equipa do líder controlou grande parte da distância, tendo, de vez em quando, alguma ajuda, principalmente da espanhola Caja Rura-Seguros RGA. 

Na Praça do Giraldo, final de tradição na Alentejana, as camisolas foram entregues apenas a portugueses, com um espanhol a partilhar o destaque no pódio por ter vencido a sexta etapa. Além da amarela de Moreira, José Neves (W52-FC Porto) já havia garantido no sábado a conquista da classificação da montanha, vestindo a Camisola Preta E-Redes.

Pedro Lopes ainda teve de se aplicar este domingo, pois o único possível rival na classificação do Prémio da Juventude, António Ferreira (Antarte-Feirense), ainda tentou lutar. Foi para a fuga, mas o ciclista da Kelly-Simoldes-UDO estava atento e seguiu-o de perto, garantindo assim a Camisola Branca FGil.pt.

A Camisola Verde Crédito Agrícola ficou para Iúri Leitão, consagrando-o como o mais regular e vencedor na Classificação dos Pontos. Muito importantes foram as duas vitórias de etapa, em Sines e Mora, tendo sido terceiro em Évora e segundo na primeira tirada.
Etapa muito controlada

A fuga do dia nunca teve muito mais de dois minutos de vantagem, apesar do esforço de Francisco Campos (W52-FC Porto), Juan Antonio Lopez-Cozar (Burgos-BH), António 
Ferreira (Antarte-Feirense), Pedro Lopes (Kelly-Simoldes-UDO) e Raúl Ribeiro (Almodôvar-Delta Cafés-Crédito Agrícola).

Lá foram distribuindo entre eles os pontos em duas das três metas volantes e na única contagem de montanha, mas o pelotão - que demorou a deixar formar uma fuga - manteve sempre os fugitivos com rédea curta. A Efapel queria garantir que não havia surpresas, a Caja Rural-Seguros RGA e a Kern Pharma procuravam garantir um final ao sprint.

A etapa decorreu a grande velocidade, média de quase 42 quilómetros/hora. Mesmo assim, já perto do final, David Livramento (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) tentou surpreender, escapando com Micael Isidoro (Louletano-Loulé Concelho) e Juan Antonio Lopez-Cozar (Burgos-BH), mas no pelotão não se queria qualquer surpresa, nem na luta pela etapa e muito menos pela vitória na geral.
No sprint que fechou a Alentejana, a Kern Pharma conseguiu o que andava a tentar desde o primeiro dia. Enrique Sanz que tão bem conhece esta corrida foi o mais forte. O espanhol conseguiu o quarto triunfo no Alentejo, depois das três etapas ganhas em 2019. Porém, foi o uruguaio Mauricio Moreira quem centrou as atenções finais, deixando José Neves a três segundos e o companheiro de equipa, Rafael Reis, a 10 a fechar o pódio. A equipa do vencedor, a Efapel, foi ainda a melhor na classificação coletiva.

"Foi uma etapa bastante nervosa por causa do vento. Sabíamos que os adversários eram fortes, tínhamos que lutar o dia inteiro, mas acreditava no trabalho da minha equipa, acreditava nos meus companheiros e eles fizeram um trabalho incrível. Assim que fiquei tranquilo", descreveu Moreira.