O espetáculo nasceu das histórias que os habitantes da vila contaram e que agora vão percorrer as ruas e praças através da dança, da música e da palavra.

“A exploração mineira, as valsas mandadas, o trabalho rural, o Cante Alentejano são algumas das matérias de uma ficção criadas por todos, uma linguagem comum que nasce de um quotidiano partilhado entre os que vivem aqui e os que acabam de chegar.”

Madalena Victorino da direção artística da Lavrar o Mar Cooperativa de Artes, a par com a Giacomo Scalisi, explicou que o projeto “Lavrar o Mira e a Lagoa” pretende mostrar “o papel que a arte pode ter na vida das pessoas, e como pode contribuir para o seu o crescimento.

Queremos que fique na sua memória e faça ecoar um valor positivo de alegria, bem-estar, mas também a tal profundidade.” Sublinhando que “as artes servem para sermos felizes, para rasgar e abrir horizontes.” 

Através deste espetáculo “queremos também colocar as artes em prática através da dança, com o bailarino Ricardo Machado, que vai aludir à vila do Cercal do Alentejo a partir da sua visão artística.”

Explicando que se tratou de “trabalho desenvolvido por tentativa e erro, para tentar encontrar uma ponte de diálogo entre a cultura local, as pessoas que aqui vivem e os artistas, num cruzamento entre mundos diferentes.

 Foi este cruzar de dimensões que deu o título ao espetáculo “Nós de Voz”, “Nós os estrangeiros que vimos de longe e a Voz dos que pertencem ao Cercal do Alentejo, num encontro entre a vida e a arte.”

Ao longo de cinco semanas de partilhas e ensaios, “os sentidos encontraram um caminho de regresso à terra, uma aproximação entre a vila e o campo, a arte contemporânea e a poética popular, em que a mistura improvável de diferentes saberes será o chão comum para escavar, semear, construir ligações”, como nos explicou Ricardo Machado interprete e criador do espetáculo.

“A primeira semana de trabalho no Cercal do Alentejo foi para conhecer as pessoas, falar, estabelecer conversas e ligações. Saber o que as marcava mais, nunca ninguém recusou falar connosco, de nos explicar o que é esta vila e como é aqui viver”.

O passo mais difícil foi “o das pessoas colaborarem o que é perfeitamente compreensível porque expormo-nos nunca é fácil. Mas conseguimos, e fizemos pequenas grandes conquistas, com a Lara, o Filipe, a Carolina, o Zito, o José Manuel, o André, a Banda Filarmónica Lira Cercalense, o Cante Alentejano com Grupo Coral da Casa do Povo de Cercal do Alentejo, a cantora Maria Alice. Vozes de um passado, presente atual e de perspetivas de futuro,” sublinhou Ricardo Machado.