A Federação dos Sindicatos das Indústrias Metalúrgicas, Elétricas, Químicas e Metalomecânicas (Fiequimetal) divulgou hoje um comunicado em que afirmou que a Petrogal deve responder pelos despedimentos previstos para a refinaria de Sines e acusou a Martifer de mandar a sua subcontratada CMN dispensar 90 trabalhadores.

A Comissão de Trabalhadores (CT) da refinaria também já tinha emitido um comunicado a responsabilizar a Petrogal pela situação, que enviou ao Presidente da República e ao primeiro-ministro.

A Galp optou por não se pronunciar sobre o caso em si, mas enviou à agência Lusa uma declaração sobre o recurso a prestadores de serviços.

Para a empresa, o recurso a prestadores de serviços externos "é uma prática normal, quase obrigatória em instalações industriais, nomeadamente para fazer face a inúmeros trabalhos especializados em que estas empresas têm adequados recursos e know-how".

"A contratação de fornecedores e prestadores de serviços externos é, de resto, uma das formas através das quais estas grandes unidades industriais contribuem para a criação de riqueza na sociedade, criando empregos e promovendo todo um tecido empresarial que, de outra forma, não se desenvolveria", defendeu a Galp.

Hélder Guerreiro, dirigente do Site Sul (sindicatos das indústrias transformadoras, que integra a Fiequimetal) e coordenador da CT da Petrogal, disse à Lusa que os 90 trabalhadores que vão ficar sem trabalho pertencem todos à empresa de manutenção CMN, subcontratada pela Martifer.

Segundo o sindicalista, 60 dos trabalhadores a dispensar têm contrato a termo certo ou por tempo indeterminado e os restantes 30 trabalham à hora.

"Muitos dos trabalhadores asseguram a manutenção da refinaria há 30, 20 ou 10 anos e entre os ultra precários, que trabalham à hora, também há quem preste este serviço há 5 anos"", salientou o sindicalista.

A CMN começou hoje a notificar os trabalhadores em causa e dispensou-os com efeitos imediatos.

Entre os despedidos está um dirigente do Site Sul e um delegado sindical do mesmo sindicato.

A empresa subcontratada vai manter na refinaria 30 ou 40 trabalhadores, mas Hélder Guerreiro considerou que esse número é insuficiente para assegurar a manutenção da petrolífera em Sines.

"Quando discutimos os serviços mínimos para a greve que fizemos há um ano na refinaria de Sines, a Petrogal insistiu que precisava de cerca de 100 trabalhadores para assegurar a manutenção, por isso eles devem ser mesmo necessários", disse.

Segundo o sindicalista foi a Martifer que forçou o despedimento, mas a Petrogal é igualmente responsável.

Fonte oficial da Martifer disse à Lusa que os trabalhadores em causa não têm qualquer vínculo contratual com a Martifer.

Hélder Guerreiro lamentou que as empresas estejam a aproveitar-se dos constrangimentos causados pela covid-19 para despedir.

"Nesta altura, com o estado de emergência, nem sequer podemos convocar uma concentração ou uma manifestação para denunciar a situação e os tribunais também só funcionam para caso urgentes", disse o sindicalista.

Este era um dos casos que o coordenador da Fiequimetal, Rogério Silva, pretendia discutir com a ministra do Trabalho e, por isso, pediu uma reunião urgente há uma semana, mas sem sucesso.