Álvaro Beijinha considera que a transição energética “não pode ser à conta da população local”
O presidente da Câmara Municipal de Sines, Álvaro Beijinha, defende que a administração central e as empresas têm de assumir mais responsabilidades nas áreas da habitação, da educação, da saúde e das acessibilidades, necessárias para que o concelho Sines esteja preparado para receber os investimentos industriais previstos.
"Os investimentos privados previstos para Sines são de 20 mil milhões de euros. O orçamento da Câmara para investimentos em 2026, em todas as áreas, é de 12 milhões. A Câmara não foge às suas responsabilidades, mas tem o orçamento que tem. Se queremos que Sines seja o paradigma da transição energética do País e da Europa não pode ser à conta da população local.”
O presidente disse estas palavras no evento “Rumo ao net zero: Sines e os caminhos para a descarbonização da indústria”, realizado no dia 14 de janeiro, no auditório da Administração do Porto de Sines, com a presença de Manuel Castro Almeida, ministro da Economia e Coesão Territorial.
Neste evento, promovido pela Fundação Repsol, especialistas, líderes empresariais e decisores debateram soluções concretas para acelerar a transição energética e a descarbonização da indústria.
Álvaro Beijinha chamou a atenção para a necessidade de acompanhar esse processo com investimentos em equipamentos, infraestruturas e serviços públicos.
“O que podia ser uma coisa boa - investimento, criação de emprego, de riqueza - começa a ter a população local contra: pagam habitação muito mais cara, tudo é mais caro, têm um sentimento de insegurança, e por isso tem de haver muito investimento público. E depois temos também a responsabilidade social das empresas. São investimentos privados de muitos milhões. Estas empresas deviam ter mais consciência do ponto de vista social para contribuir também para esta resposta que é necessária."
Após o evento na APS, a comitiva visitou o complexo industrial da Repsol, onde pôde conhecer a evolução do projeto Alba, o maior investimento industrial em Portugal na última década, e visitar as infraestruturas de energia renovável, incluindo o local do futuro eletrolisador para produção de hidrogénio.
